
A menina vivia infeliz e maltratada pela madrasta numa casa perto da floresta. O pai viúvo, em segundo casamento, não conseguia proteger a filha da malvadez da mulher. Em pleno Inverno lituano, inóspito e rigoroso, a menina foi enviada para a floresta pela madrasta, com a obrigação de só voltar na posse da ŽIBUTĖ. Descalça, mal agasalhada, a menina poucas hipóteses tinha de sobreviver. Tudo estava coberto de neve e a espera da Primavera, seria fatal.Não muito tempo depois, já na floresta, ela foi atraída por uma luz brilhante que avançava de uma pequena clareira, rodeada por esguios pinheiros vestidos de branco. Jamais tinha visto tão bela alvura. Ao redor de uma fogueira, doze homens velhos, conversavam. Ao verem chegar a menina, logo a acolheram carinhosamente. Aquecendo-a, perguntaram as razões de estar ali assim (mal) vestida e aquela hora. Depois da explicação recebida, apresentaram-se: eram os Meses do ano e logo se ofereceram para resolver a situação…
No dia seguinte, em 24 horas, fizeram passar naquele cantinho da floresta, todos os meses do ano e respectivas Estacões. Cada um, na sequência devida e evocando deuses pagãos, ia fazendo desfiar o tempo com todas as suas coisas boas e más. O Março e o Abril, foram os mais esforçados… Era necessário uma Primavera perfeita para a ŽIBUTĖ florescer. Em poucos minutos, ao redor da fogueira a neve derreteu e despontaram montes e montes daquela flor. Ajudada pelos Meses da Primavera, ŽIBUTĖ, assim passou a ser chamada a menina, colheu um enorme ramo que levou à madrasta, cumprindo a tarefa impossível e ultrapassando uma condenação à morte na floresta gelada.
A ŽIBUTĖ é a flor que anuncia a Primavera e constitui também o símbolo da Páscoa, aqui na Lituânia. Hoje, ofereceram-me um ramo, que simbolicamente coloquei na janela…
NOTA: A história que aqui conto foi-me contada por quem carinhosamente me ofereceu as flores… despreocupadamente, acreditando eu que sendo tão popular, ela própria desconhece o autor. No entanto, um Senhor ou Senhora anónimo(a) acusou-me de plágio, referenciando o seu autor - Samuil Yakovlevich Marshak (http://en.wikipedia.org/wiki/Samuil_Marshak).
Aqui fica portanto a sua preciosa contribuição.
Aqui fica portanto a sua preciosa contribuição.
fotografias: Nuno Guimarães