Há quem tenha carros favoritos. Há quem tenha restaurantes
favoritos… Outros têm locais de férias favoritos, comida favorita, livros
favoritos, filmes favoritos, mulheres favoritas, cidades favoritas, etc, etc,
etc… É-me agora difícil ter este tipo de raciocínios. Confesso que mudei, não sei
se pela idade, se pela dificuldade, mas mudei… Compreendo, aceito, admito este género
de raciocínios ou tema de cavaqueira entre amigos. Por vezes somos mesmo obrigados
a responder a questões deste tipo, naquelas estereotipadas entrevistas que
dizem ser para definir melhor o perfil das pessoas… Mas não, eu tenho alguma
dificuldade em definir favoritismos nesta onda a roçar a futilidade. Tenho no
entanto dois velhinhos favoritos em Vilnius. Um Homem e uma Mulher. Ambos com
uma imagem tão humilde e tão bela que não posso recusar o favoritismo que me
invade quando passo por eles, quase todos os dias. Ele, sentado num banco de
rua, numa posição que não sendo de pedinte denota desde logo essa necessidade
que lhe vai na alma, no corpo, e mais do que provável, no bolso. Acredito que o
pudor não lhe permite assumir uma posição mais notada dessa necessidade. Mãos cruzadas
sobre uma bengala corroída pelo tempo e chapéu que me inspira, fazendo-me
lembrar (não me perguntem porquê) o meu país. Ela, a minha Velhinha favorita,
vende flores, escondida numa esquina. São flores muito simples, meio
campestres, quase certo, apanhadas por onde passa… Como os dele, os olhos dela não
mentem… As flores são o assumir da necessidade e a sua venda a dignificação da esmola.
Tem sempre um ramo na mão e perto dos pés um balde de água, preto, com mais
meia dúzia de ramos, esperançada, sempre, no jackpot que é para ela tão simples
como a venda diária das flores que traz. Hoje, ao passar pela esquina da minha
Velhinha favorita, ofereci-me flores, trouxe-as carinhosamente para casa e
coloquei-as exactamente no mesmo sítio de quando me oferecem flores.
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outubro 12, 2011
abril 22, 2011
medicinas...
Pois... e eu que dizia que nunca ficava doente e gozava um pouco com tanta gripe e tanta constipação que grassa por aqui entre os lituanos. Três semanas numa vai que não vai... cai que não cai... com mil e um conselhos médicos de todos os meus amigos... E, como de costume, a corrente "naturalista" versus corrente "química". Passeei-me pelas duas correntes, ouvindo e experimentando tudo... Ele foi "Jogurto kapsules", iogurte com bífido em comprimidos,
ele foi "Flavamed"(amboxoli hydrochloridum),
ele foi "GeloMyrtol"(não sei muito bem o que é mas é da "corrente naturalista"),
e no fim da 1ª fase deste "passeio", fui para a dose "química", de cavalo (dizem eles) - "Amoksilav"- 14 comprimidos tomados todos, até ao fim da caixa.
Pelo meio "Neo Angin", uns drops para a garganta.
Mas não chegou... A coisa não se resolvia, e apanhado por uma amiga na rua (devia estar mesmo com mau aspecto), fui arrastado para o "Centro Poliklinikos" onde fiz um exame completo por 1 lita!!!! Sim, meus amigos 1 lita = 30 cêntimos!!! Inclui exame de clínica geral, análise ao sangue, microradiografia aos pulmões, outro exame esquisito aos mesmos, tipo ecografia... Excelentemente atendido, no SNS de cá! Resultado final: mais uns comprimiditos "Bional", corrente "naturalista", para um diagnóstico do tipo... não estás bem, nem estás mal, mas precisas de revigorar o organismo...
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